PCDF deflagra operação Herdade contra grilagem em área do DF

A Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística da Polícia Civil do Distrito Federal (DEMA/PCDF) deflagrou, nesta terça-feira, 22, a operação Herdade, com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de praticar crimes de associação criminosa, parcelamento irregular do solo para fins urbanos, dano ambiental, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência etc.

Segundo a delegada-chefe da DEMA, Marilisa Gomes da Silva, a organização criminosa lucraria, de forma ilícita, cerca de R$ 30 milhões com o loteamento irregular de dez chácaras localizadas na Colônia Agrícola 26 de Setembro, região administrativa de Vicente Pires (DF).

As investigações duraram 1 ano e 3 meses. As equipes da PCDF deram cumprimento a 11 mandados de prisão temporária e a 16 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em Águas Claras, Jardim Botânico, Park Way, Plano Piloto e Vicente Pires, além do edifício sede da Secretaria de Fazenda do DF (SEF/DF). Dos 11 mandados de prisão, dois ainda não foram cumpridos porque os suspeitos estão em viagem ao exterior. Se condenados por todos os crimes, os suspeitos podem pegar até 42 anos de prisão.

Um servidor da SEF/DF está entre os detidos pela Herdade, acusado de receber propina para promover o cadastramento de IPTU dos lotes irregulares da região em parceria com o grupo. Em nota, a Fazenda/DF informou que colabora com as investigações da Polícia e já prestou esclarecimentos nesta terça-feira. O Gabinete e a Corregedoria Fazendária aguardam os desdobramentos da ação para tomar as medidas administrativas cabíveis.

Capacidade de lucro

O grupo vendia dez chácaras no local, cada uma delas dividida em 50 lotes de 400 metros quadrados. As porções de terra eram vendidas, cada uma, por R$ 60 mil, gerando uma capacidade de lucro de R$ 30 milhões com o loteamento irregular.

Segundo a delegada-chefe da Dema, Marilisa Gomes da Silva, o Assentamento 26 de Setembro foi criado em 1999 pelo governo do Distrito Federal com fim agropecuário, "mas infelizmente a gente verifica que, ruralmente falando, hoje não existe mais isso". "Hoje, o que nós temos lá são ocupações irregulares e o crime de parcelamento irregular do solo", disse. As investigações serão mantidas pela Polícia Civil, segundo a delegada, para procurar outras chácaras parceladas de forma irregular.

Com informações do G1 e da SEF/DF